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Escrevo para Ser Esquecido

R$ 80,00Preço
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Escrito por Hamilton Borges, o livro reúne duas décadas de reflexões sobre luta preta, política, memória e espiritualidade e conta com prefácio de Emicida.


Texto sobre o livro.

A “Morte” e o “Esquecimento”, são, portanto, estruturantes de uma forma lírica que subverte, afinal, qualquer morbidez. A memória convoca, provoca, desperta. Revive, reescreve, reivindica. O dever quilombista de enfrentar os modos conciliadores e condescendentes de um estado-nação que fora, antes de tudo, escravista, não o ilude com a expectativa dos aplausos nem do sucesso. Se não há desespero, tampouco há conformismo. Há, talvez, a certeza de que não há vitória possível neste atual estado de coisas. O pessimismo de sua visão é a causa primeira de seu compromisso permanente com o movimento social.

“Escrevo para ser esquecido” não poderia ser, jamais, a monumentalização do desengano. É uma declaração pública de repúdio à superficialidade das novas formas de engajamento social/digital e os impactos sobre a militância negra nos espaços de luta social. De suas crônicas depreende-se, sobretudo, uma indagação: a quem tem servido, afinal, o fato de que nos tornamos tão inofensivos?

Estes tempos requerem de nós, mais do que nunca, a capacidade de denunciar com integridade e seriedade das mazelas que nos cercam. E quando constatamos que o que restou de nossas utopias aparece acuado entre uma positividade tóxica (que nega o ódio como ferramenta de transformação) e entre uma rebeldia performativa, precisamos com urgência trazer, carregadas no pente, as palavras pontiagudas de Hamilton Borges.

“Escrevo para ser esquecido: recursos para destravar a alma” é um livro sobre ética. Uma fotografia do estado de espírito coletivo de luta pelas lentes de um coveiro amador. O poeta maloqueiro, pugilista indefectível, segue em frente, lutando de todas as formas: como pai, como filho, como companheiro, como testemunha ocular, como educador, como quilombista, enfim, como gente, que é gente comum, apesar da clarividência extraordinária de sua visão de mundo.


Rebeca Vivas, historiadora

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