Hamilton Borges (Ifáladê) é escritor, ator, articulador cultural e um dos formuladores da literatura quilombista contemporânea. Há mais de quatro décadas atua na construção de movimentos sociais, projetos culturais e iniciativas de formação política voltadas ao enfrentamento do racismo, à defesa dos direitos da população negra e à valorização das tradições afro-brasileiras.
Nasceu e cresceu na Rua do Curuzu, no bairro da Liberdade, em Salvador (BA), território que reconhece como sua primeira escola política e afetiva. Afirma que sua formação intelectual foi construída no movimento negro, na convivência com as mulheres de sua família e nos ensinamentos dos terreiros de candomblé, especialmente por meio de sua avó paterna.
É idealizador e integrante da organização política Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, referência nacional e internacional na denúncia do genocídio do povo negro. Atua também na Escola Pan-africanista Winnie Mandela, desenvolvendo ações de literatura, formação política e organização comunitária.
Ao lado de Dra. Andreia Beatriz Silva dos Santos, fundou a Livraria Agbá Eleiyè e a Reaja Editora, iniciativas voltadas à circulação da literatura preta, do pensamento crítico e da produção editorial independente.
Coordena o projeto Cultura Intramuros, realizado na Penitenciária Lemos Brito, onde articula literatura, política cultural e defesa dos direitos das pessoas privadas de liberdade.
Sua obra reúne poesia, romance, conto, crônica e ensaio político. Publicou Teoria Geral do Fracasso (2017), Salvador, cidade túmulo (2018), traduzido para o inglês e lançado nos Estados Unidos, Portugal e França, Livro Preto de Ariel (2019), Libido, Dendê e Melanina (2020), Bantu Machine: O Homem que Queria Ser Branco (2023) e Escrevo para Ser Esquecido (2026).
Sua escrita articula literatura, memória, espiritualidade, insurgência negra e crítica da modernidade colonial. Inspirado pelas tradições dos quilombos, dos terreiros e das rebeliões negras, reivindica uma literatura comprometida com a liberdade, a autodeterminação e a construção de futuros para o povo negro.
Nos anos 1980, criou o grupo de intervenção poética Os Maloqueiros e militou por mais de vinte anos no Movimento Negro Unificado (MNU). Iniciado para Ogum no candomblé, reconhece na ancestralidade uma dimensão constitutiva de sua prática literária e política.
Hamilton Borges define-se, acima de tudo, como escritor quilombista e maloqueiro.
Dra. Andreia Beatriz Silva dos Santos é médica de família e comunidade, mestra e doutora em Saúde Coletiva. Foi conselheira do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) entre 2012 e 2014.
Atuou como médica em equipe de saúde na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador (BA), entre 2007 e 2023. Desde 2008, é docente do Departamento de Saúde e pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Desigualdades em Saúde (NUDES) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Desde 2018, é docente e preceptora do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
Atualmente, integra a Equipe de Avaliação e Acompanhamento das Medidas Terapêuticas Aplicáveis à Pessoa com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAP), na Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.
É cofundadora da organização política Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, que, desde 2005, desenvolve práticas e ações de enfrentamento ao genocídio do povo negro nas ruas, nas favelas e no interior das prisões.
É coidealizadora da Escola Pan-africanista Winnie Mandela, da Reaja Editora e da Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária. É também idealizadora da ação permanente Saúde e Cultura Intramuros, desenvolvida no sistema prisional baiano.
É autora dos livros Olhar por entre grades, vidas em poemas (2020), Tempo em mim (2023) e Teorias e Sentidos em uma Prática Abolicionista (2025). É co-diretora do documentário Genocídio e Movimentos, lançado pela produtora Couro de Rato em 2021.
Sua trajetória articula saúde coletiva, luta antirracista, direitos humanos, política criminal, práticas abolicionistas, literatura e cultura, tendo como eixo a defesa da vida e o enfrentamento às estruturas de violência que atingem a população negra, especialmente nos territórios periféricos e no sistema prisional.
Hamilton Borges

Andreia Beatriz
