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Salvador, Cidade Túmulo

R$ 75,00Preço
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Não estamos apenas diante de um livro de literatura, mas de um verdadeiro manifesto contra o esquecimento, a banalização e despolitização da morte preta. De alguma forma cidade-túmulo aqui representa tanto a crítica do genocídio da população preta como a luta para que, de fato, exista um túmulo, um mausoléu, uma lápide que seja, contando as histórias, memórias e vida de cada um daqueles que os jornais policiais insistem em transformar apenas em números. Hamilton Borges não está escrevendo, ele está marchando contra o genocídio preto em cada página que o leitor tem em mãos. A literatura que encontramos romantiza apenas no sentido de transformar em microrromancescada dor silenciada pela macronarrativa romantizada de uma Roma Negra. É a inversão da violência da branquitude e de seus colaboradores, é a devolutiva feita por uma editora preta e autônoma, pois como diz um dos contos “nenhum branco fila da puta deu nada ali para depois tá alegando”.

E não se engane pelo título, o livro que tens em mão é um livro sobre amor. Na estrutura visceral das histórias é o amor o fio que tenta ser condutor, mas é impedido, sentenciado, por um ódio racial que compele cada história a uma tragédia violenta. O amor das avós, das mães, dos namorados, dos companheiros, dos amigos, das mães de santo… cada amor tenta evitar uma sentença sem julgamento previsto para ocorrer sem aviso prévio. Destaco que o amor hetero-cis-normativo é quase estranho às paisagens imaginativas que Hamilton elabora aqui. Os viado, as travesti, as nega, estão todas se amando e lutando para se amar contra uma sociedade que achou que não bastava oprimir social e racialmente, mas também negar a subjetividade e afeto que restou para aquelas pessoas. É um livro de amor, mas um estranho livro de amor que tenta garantir os finais felizes sem conseguir. Um fracasso. O autor não consegue mentir ou maquiar por uma força muito poderosa e cruel presentificada na cidade-túmulo. (Erahsto Felício, préfacil da 2ª edição de Salvador, cidade túmulo, Teia dos Povos, 2020)

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